Se você é curioso em saber como é a visão de dentro de um carro de Formula 1, hoje Rubens Barrichello satisfaz sua curiosidade e mostra.
Na primeira fotografia tirada pelo próprio piloto vemos o cockpit do FW33 ainda sem o volante colocado, mas conseguimos ver onde as pernas de Rubens vão "encaixadas" sob a proteção acolchoada que as separa do contato direto com as paredes laterais do carro e a coluna de direção ao centro, impedindo-as de serem jogadas para os lados quando o carro muda subitamente de direção ao percorrer as curvas de uma pista.
Pouco acima das pernas vemos o "para brisas", que na verdade é um defletor de ar cuidadosamente projetado no túnel de vento para desviar o fluxo de ar do cockpit e direcioná-lo à entrada de ar superior e traseira do carro da maneira mais eficiente possível. Ao fundo vemos as luvas e os engenheiros segurando o capacete de Barrichello.
Na segunda imagem (ao lado), vemos o complexo volante da Williams 2011 com seus inúmeros botões de apertar e girar e o display de informações digitais acima do centro.
Perceba também que à esquerda do lugar onde o piloto se senta há uma alavanca metálica, provavelmente com função de distribuir a carga do sistema de freios entre as rodas da frente e de trás conforme o tipo de curva que se vai frear.
Depois de receber várias criticas por sua proposta anterior de diferenciação dos tipos de pneus, que eram pouco visíveis com eles em movimento, a marca italiana adotou modificações para estrear no GP da Malásia.
Eles acrescentaram uma faixa dourada em todo o entorno dos pneus macios (os duros e os de chuva nada terão). Trata-se de uma solução provisória, devendo a definitiva com maior área das cores originais de todos os tipos de pneus ser introduzida no GP da Turquia. Veja: (Clique nas imagens para ampliá-las)
O Programa "Esporte Motor" dessa semana abordou o acidente fatal de Gustavo Sondermann em Interlagos no último dia 3 de Abril, falou também sobre o GP da Malásia e respondeu às perguntas feitas ao vivo pelos internautas através do chat do canal Alltv.
O primeiro assunto foi sério e dessa maneira foi tratada, os outros assuntos também eram sérios, mas foram tratados mais informalmente. Bem mais...
Os ganhos da F1 em 2010 ultrapassaram 1 bilhão de dólares (daqui pra frente saibam que sempre falarei em dólares nesse post). Na verdade 1 bilhão e 82 milhões para ser preciso, 19 milhões a mais do que no ano anterior.
O dinheiro das equipes que seria em média 52 milhões para cada uma, só que ele não é distribuído assim, existem critérios mais complexos para a distribuição. O dinheiro dos "prêmios", como é chamado esse valor vindo da FOA (Formula One Administration) varia conforme o sucesso de cada equipe, com as equipe melhor colocadas no fim do campeonato de construtores recebendo proporcionalmente mais que as menos bem colocadas, a equipe campeã ainda mais e ha ainda o critério histórico com as equipe de longa tradição como Ferrari, McLaren e Williams recebendo um bônus.
Outro numero que chama atenção é a redução de lucros dos "donos" da FOA: de 420 milhões em 2009 para 341 milhões em 2010. Isso porque mesmo com um aumento de 2% nas receitas gerais, a distribuição de lucros foi mais dadivosa com as equipes, seguindo os preceitos do pacto da concórdia (entre equipes, FIA e FOA) em vigor e porque tiveram 12 equipes participando desse rateio ante às 10 dos anos anteriores.
Certamente o prejuízo do cancelamento/adiamento do GP do Bahrein esse ano vai acarretar em ganhos menores no ano fiscal de 2011 e ainda mais dor de cabeça vem pela frente: Jean Todt, já declarou que pretende rever (para mais, claro) a cota de participação da FIA nos lucros da categoria, bem como o mesmo pretendem fazer as equipes de F1, visto que o acordo que tem expira no ano que vem.
Está se aproximando (em pouco mais de 24 horas os carros já estarão andando na pista) o Grande Prêmio da Malásia. A pista com duas longas retas deve permitir uma melhor observação e comprovação da eficiência da novas asas traseira móveis, mas a grande notícia para esse GP é a possibilidade muito grande de tanto treinos como corrida serem realizadas sob chuva, e quando chove por lá não costuma ser pouco:
Confirmando-se essas previsões acima do weather channel, (60% de chances de chuva para os três dias), a corrida promete ser muito mais imprevisível, tumultuada e mesmo perigosa do que o esperado e os novos pneus de chuva da Pirelli passarão por um verdadeiro batismo de fogo.
A Ferrari disponibilizou para reservas seu novo mega-livro chamado "Opus Ferrari", uma publicação de 857 páginas pesando 37 quilos contando toda a história da empresa de carros e equipe de competições. Os preços variam entre 3.200 dólares e 32.000 dólares (lá na Inglaterra, aqui deve ser mais caro com os impostos e lucro do importados)
O belíssimo livro está sendo vendido em 3 luxuosas versões de colecionador:
Classic: Com capa de seda e com as assinaturas de Felipe Massa e Fernando Alonso por aproximadamente.
Cavallino Rampante: Com o logotipo usado nos carro colado na capa, essa edição limitada à 500 unidades terá assinatura de todos os "grandes da Ferrari", seja lá o que isso quer dizer.
Enzo: Com apenas 400 cópias numeradas a mão, essa edição vem numa caixa de fibra de carbono e tem as assinaturas de todos os campeões vivos da Ferrari.
Como prometido, de tempos em tempos (15 em 15 dias, preferencialmente, mas pode variar um pouco) vou trocar o papel de parede do BLOG e disponibilizar a imagem pra vocês. E a ótima a imagem que agora podem salvar é de Ronnie Peterson, James Hunt, Patrick Depalier e Mario Andretti em 1976. Clique na imagem para ampliá-la e salve!
Depois do terrível acidente de Gustavo Sondermann no último domingo dia 3 de abril, muitas foram as vozes que, no calor do momento saíram em busca de culpados pelo terrível desfecho do acidente, inclusive eu nas primeiras horas. Depois, alertado por algumas poucas vozes mais abalizadas me calei e deixei a emoção diminuir antes de me pronunciar de maneira mais isenta e aprofundada sobre um tema tão delicado e emotivo. Soltei uma pequena nota no dia e só.
Passado o momento, atravessada a noite, resolvi encarar os fatos e voltar à carga sobre o assunto. O acidente foi terrível sim, em condições meteorológicas ruins com consequência na dramática redução de visibilidade dos envolvidos.
Aparentemente Sondermann teria sido tocado no lado de dentro da curva e a atravessou, sendo em seguida acertado por quatro carros, um de raspão, outro que arrancou sua traseira, o terceiro, de Pedro Boesel que desferiu o golpe mais violento e que teria sido o causador dos ferimentos mais graves (Pedro também se feriu, com fraturas no braço e ombro) e um quarto, que nada mais fez do que arrastar o carro de Sondermann por mais alguns metros como vemos nao vídeo abaixo:
Ha algumas coisas que se fazem necessárias esclarecer, sob o meu ponto de vista:
1ª - A total falta de culpa de todos os pilotos envolvidos. Tratou-se de um acidente de corrida e as condições não permitiam que qualquer um deles agisse de maneira diferente naquele momento.
2ª - O pneu traseiro direito montado no sentido inverso no carro de Gustavo não teria peso no acidente, pois não ocasiona perda de estabilidade, apenas menor tração e perda de tempo.
3ª - A pista não apresentava naquele trecho, nas palavras de Aluizio Coelho que dirigia o safety-car à Lito Cavalcanti, nenhuma poça d água que ensejasse condições particularmente ruins na curva do café.
4ª - Segundo relato do jornalista esportivo Octavio Muniz, não houve qualquer impacto do carro de Gustavo nos muros internos ou externos da curva do café.
5ª - Segundo o mesmo jornalista, o "Hans", protetor de pescoço, estava mal preso e essa folga teria permitido que a cabeça do piloto rotacionasse mais do que o corpo aguenta.
6ª - O impacto lateral é um dos mais terríveis à qualquer piloto, exatamente pelo menor possibilidade de absorção de impacto tanto do carro como do pescoço.
O que se pode extrair desse terrível desastre? Que os dirigentes da CBA, da Vicar, dos pilotos e demais envolvidos no automobilismo precisam se sentar e repensar os padrões de segurança existentes no momento para melhorá-los. A curva é insegura? Segundo pilotos é uma das mais temidas do calendário nacional, já matando o piloto de Stock Car Light Rafael Speráfico em um acidente muito parecido no fim de 2007 e um motociclista numa corrida recente lá, mas não ha qualquer problema no asfalto, sinalização e mesmo nos muros que desde o ano passado passaram a ser "softwall", que absorve mais o impacto que, repito, não ocorreu com o carro de Sondermann.
Os carros são inseguros? Aparentemente não. Numa batida lateral de alta velocidade e de proporcional magnitude até um carro de F1 não poderia garantir a total segurança de seu ocupante por conta da violência do impacto.
O que fazer então, para melhorar a segurança? Reativar a chicane existente (e que os próprios pilotos se mostraram contra no passado recente por ser "chata")? Reforçar ainda mais os carros? Reduzir a velocidade deles? Reprojetar a curva inteira, algo que teria custos proibitivos e demandaria uma engenharia colossal pelas condições do local? Não sei. Não sou técnico e não tenho a pretensão se saber as respostas. Para isso existem os engenheiros, médicos, pilotos, dirigentes etc que conhecem a fundo os carros, o corpo humano e a dinâmica dessas muitas e complexas variáveis.
O fato é que mesmo sendo uma fatalidade de corrida - mais uma nesse local - algo precisa ser feito em favor dos que lá arriscam suas vidas para entreter milhares e enriquecer alguns. Quando o assunto é a vida, nenhuma preocupação é exagerada.
À frente dessas responsabilidades está a CBA, Confederação Brasileira de Automobilismo, que ja vem pressionada ha muito por pilotos, equipes e imprensa por se concentrar muito na arrecadação de taxas. Veremos se apresenta o mesmo interesse por melhorar as condições de segurança seus contrubuintes. Tomara.