sábado, 11 de dezembro de 2010

Asa traseira móvel



As grandes novidades da F1 2011 anunciadas pelo Conselho da FIA em Mônaco ontem foram as regras mais claras para o uso da asa traseira móvel e a remoção do artigo que proibia as ordens de equipe. Houveram outras novidades acerca do fechamento dos boxes, largura da faixa de rolagem nos boxes etc, mas as principais novidades que percebermos nas pista são as duas primeiras que mencionei.

Hoje falarei das asas traseiras móveis. Senão, vejamos:

A asa traseira móvel só poderá ser utilizada quando o competidor de trás estiver a menos de um segundo do competidor à sua frente. Só quem está atrás pode usar. A medição do "1 segundo de distância" se dará com base na cronômetragem e terá que ser autorizada caso a caso, pelos conselheiros desportivos da FIA que estiverem na corrida. Aparentemente tudo muito simples não?

Não. Essa cronometragem onde será auferida a "diferença autorizativa" de menos de 1 segundo, será com que base? Na última volta? No último trecho cronometrado? Em algum outro dispositivo (GPS) que mede em tempo real dos carro na volta inteira? Não se sabe.


Pois bem, com isso ainda indefinido, suponhamos que uma equipe com base no ponto de cronometragem "X" percebe que seu piloto está a menos de 1 segundo atrás de seu competidor pede a FIA autorização para o uso da asa, a FIA analisa e concede o direito de inclinar a asa.
Ora! Até esse procedimento todo ser autorizado e posto em prática pelo menos 4, 5 curvas já foram percorridas e a distância de 1 segundo foi alterada! E aí? A equipe rival vai apelar da decisão?

Suponhamos então outro caso: Um piloto está a mais de um segundo atrás de seu rival, disputando a 19ª colocação, só que o piloto a sua frente erra o ponto de freada e quem está atrás vê-se subitamente encostado em seu rival, a menos de 1 segundo! sua equipe corre para pedir autorização para usar a asa móvel. Só que nesse momento outros 4 carros estão em situação semelhante e se forma na porta da torre de controle uma pequena fila para concessão da autorização de uso da asa e todos perdem tempo e o momento de ultrapassar se perde... Ou se o pedido é por rádio ou telefone, as linhas ficam congestionadas e alguém sempre ficará na espera, se ferrando. E aí?

Vamos a mais um caso! Nas primeira voltas, vale usar isso? Afinal, pelo menos por 3 ou quatro voltas iniciais teremos a maioria dos carros a menos de 1 segundo atrás de seus rivais. E aí quem está atrás de alguém vai querer usar a asa, mas quem está a sua frente também está atrás de alguém e também vai querer usar a asa, e assim sucessivamente, anulando em parte o objetivo do uso delas. Além disso nessas voltas iniciais os conselheiros da FIA terão que analisar dezenas de pedidos várias vezes na mesma volta, pois teremos dezenas de carros encostados um nos outros. E aí, como eles vão dar conta de verificar e responder com celeridade a tantos pedidos simultâneos? Imagine em um circuito travado como Mônaco, Valência, Singapura, Abu Dhabi, Hungria entre outros se algum piloto um pouco mais lento segura todo um pelotão...

Muito bem. Com base nesse cenário de caos inadministrável, imaginemos que a FIA conceda então às equipes autonomia para usar a asa quando elas mesmas verificarem que estão a menos de 1 segundo de seu rival a frente.

Então uma equipe usa o trecho "X" para mostrar que está a 0,997 atrás e autoriza, mas a equipe do rival a frente certamente pode discordar disso porque tem como base o ponto "Y", onde seu piloto já estava a mais de 1,002 segundos a frente. E aí?

Mesmo que a FIA defina um ponto de cronometragem específico único, a decisão então terá sempre como base um momento que se alterou na prática e mesmo assim teremos centenas de pedidos ao longo da corrida para serem analisados por 3 ou 4 pessoas, as mesmas que em tese já estavam ocupadas esse ano verificando o comportamento em pista dos 24 pilotos e 12 equipes em manobras polêmicas, chicanes cortadas, linha de saída de boxes não respeitadas, pit-stops desastrados, etc.

Do jeito que foi apresentada sem detalhes e com regras difíceis de serem aplicadas na prática, haverá sobrecarga dos agentes da FIA encarregados de analisar os pedidos, erros, demora, contestações durante e após as corridas e margem para muita reclamação das equipes e torcedores. Só quero ver como vão resolver isso...

4 comentários:

Luiz disse...

Sugeriria à FIA fazer um sistema desse modo: que no sistema de cronometragem houvesse um sinal (uma cor, um símbolo) que avisasse que a asa móvel pode ser usada, e o piloto, orientado pela equipe ou com um sinal no próprio volante, pudesse acionar o dispositivo. O piloto que usasse fora seria punido. Não fica difícil. O único problema disso é que as ultrapassagens ficariam artificiais.

Emilius disse...

Talvez uma regra mais clara e com mais limitantes(em se tratando da diferença), do tipo: Com duas voltas seguidas com menos de três segundos de diferença e essa diferença sempre caindo pelo menos 0,1s(um exemplo) por volta. aí sim seria permitido a inclinação da asa.

Vai ser dificil essa regra dar certo.
Alguma coisa deverá ser alterada, senão vai ser impossível, para os responsaveis trabalhar...

Charles disse...

PELO AMOR DE DEUS NÃO!!!!! ELES NÃO PERCEBERAM AS ASAS DA RBR SENDO FLEXIONADAS E NÃO IRÃO PERCEBER OS ESPERTINHOS VETTEL E SUA TURMINHA UTILIZANDO EM MOMENTO INDEVIDO!! PADRONIZA O MOTOR, ASSIM COMO OS FREIOS E DEIXA A DISPUTA PARA CHASSI E ACERTO! MAS NÃO ME VENHAM COM ESSAS BRECHAS PARA A PICARETAGEM!

José Inácio Pilar disse...

É (mais) um tema que promete polêmica esse ano. Nem tanto por uma equipe específica. Se der discussão será geral.