Bruno Senna está calado. Não que literalmente não fale mais,
mas quando perguntam sobre seu futuro na Fórmula 1, pouco pode acrescentar ao
que já sabemos: Aguarda posição das equipes com quem conversou, e como só
restam vagas na Force Índia e Caterham, é bastante razoável que esteja na
espera de ambas, com mais ou menos chances nessa ou naquela conforme a linha de
raciocínio que se escolha adotar. Na equipe indiana, por exemplo, meu colega Américo Teixeira garante que ele não corre, e não tenho porque duvidar.
Essa espera é ruim. No inicio de 2009 ele aguardou pela vaga na Honda, mas com
o fim do projeto nipônico na Fórmula 1, Ross Brawn preferiu a experiência de
Rubens Barrichello. Em 2010 estreou pela Campos, que logo se tornou Hispânia e
teve de longe o pior carro do grid. No ano seguinte alinhou como piloto reserva
da Lotus e foi guindado a condição de titular quando Nick Heidfeld falhou na
missão de levar a equipe aos resultados que acreditavam que Kubica levaria, não
tivesse ele se acidentado. Ao fim deste ano, foi dispensado em favor de Romain
Grosejan, indo para a Williams numa vaga disputada com Barrichello.
2012 já começou duro para ele: já sabia que teria que ceder seu carro quase
todas as sextas-feiras de manhã para o novato Valteri Bottas, e com esse
valioso tempo a menos de pista, penou especialmente nas classificações, onde não
se sentiria, segundo relatos, tão seguro como gostaria. No fim do ano, foi
dispensado novamente. Drama? Não.
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É claro que esse pinga-pinga nas equipes não o agrada nem o ajuda nas negociações nem a estabelecer uma linha de trabalho e base técnica numa mesma equipe, algo que certamente ajudaria a melhorar seus resultados, mas a vida é o que ela é, não o que gostariamos e ele está
na numerosa fila de candidatos às vagas remanescentes. Uma coisa é fato: Bruno
parece continuar com seus valiosos apoiadores: Procter & Gamble (dona das
marcas Gillete e Head & Shoulders), Embratel, Santander, OGX e MRV estamparam
suas marcas em seu macacão e Kart no
Desafio das Estrelas no fim de semana passado, e isso
certamente é importante nessa batalha pelas últimas vagas e um indicativo de que não jogaram a toalha.

Certamente a vaga na Force Índia é melhor, mas será que ele tem chances lá? Parece que não. Sendo assim, resta a Caterham, mas lá seus
apoiadores podem não estar dispostos a entrar com tanto dinheiro quanto numa
Williams ou FI, já que os resultados na pista e a exposição na mídia deverão
ser proporcionalmente mais modestos, outro fator a se pesar na balança.
Além da Fórmula 1, o que resta? DTM, como Augusto Farfus? Endurance como Lucas
Di Grassi? F-Indy como Kanaan e Helio? Sim, todas ótimas e muito dignas
alternativas para sua carreira, ainda que não tão conhecidas e grandiosas como a
categoria de Bernie. Se o caminho for um desses, não pensem que será
fácil, pois essas vagas também são caras e a presença de seus apoiadores teria que
ser rediscutida, já que se tratam de outros mercados e coberturas de mídia.
Assim, só nos resta esperar e cruzar os dedos para que, no fim, Bruno
faça a melhor escolha, dentre aquelas que realmente estiverem ao seu alcance.