quarta-feira, 2 de março de 2011

O coice da Toro Rosso

Com um carro aerodinâmicamente inovador a "equipe B" da Red Bull pilotada pilotada pelo espanhol Jaime Alguersuari e o Suíço Sebastian Buemi cada vez mais toma espaço do vegetativo notíciario da Formula 1 como a provável grande surpresa do início da temporada.

Segundo Lewis Hamilton da Mclaren, os tempos apresentados pelo novo carro da Toro Rosso são "ridículamente rápidos" ao passo que Jenson Button acrescentou que a equipe também lhe parece razoavelmente consistente. Até o bicampeão Fernando Alonso da Ferrari, uma das equipes tidas como detentoras do segundo melhor carro do grid até agora declarou que pelas suas observações, a Toro Rosso "progrediu significativamente" desde o ano passado.

Toda essa onda de elogios à equipe foi em parte endossada por Alguersuari, um dos mais interessados em ver todo esse potencial se traduzir em realidade, já que pilota o carro: "deveremos lutar por pontos em todas as corridas" disse.

E qual a explicações para tal salto de desempenho? A primeira e mais óbvia é: São testes, e neles os resultados podem ser facilmente enganadores, não necessariamente por "malandragem" da equipe, embora seja uma das opções do cardápio, mas porque as condições de como são obtidos os tempos podem ser muito diferentes, criando cenários distorcidos da real distribuição de forças entre as equipes que testam.

Outra explicação possível, e que parece ter peso nesse caso e não descarta uma combinação com a anterior, é o carro ser de fato rápido. O inovador desenho das entradas de ar principais (laterais) com um enorme espaço vazio sob elas criando um assoalho duplo, permite a livre passagem de ar para a traseira do carro, o que resultaria no tão propalado e desejado ganho de pressão aerodinâmica (downforce). Uma das consequências disso, entretanto, seria a discreta elevação do centro de gravidade do carro, já que radiadores e outras peças que ficavam apoiadas no assoalho passaram a ficar suspensas, mas parece que a troca valeu a pena.

Os testes da semana que vem prometem ter um valor ainda maior - mas não definitivo - para aferir se o carro da equipe que já foi Minardi de fato é um carro muito bom ou se foram apenas circunstâncias que levaram-no a bons resultados positivos. De qualquer maneira não se enganem, não será uma "nova Brawn" que desponta para o título.

Se só as corridas reais dirão quanto desse "oba oba" todo em torno do carro é justificado, uma coisa parece certa: A Toro Rosso começará 2011 mais competitiva do que iniciou 2010 e pode dar trabalho à Sauber, Force Índia e até mesmo Williams, Mercedes, Renault e Mclaren, já que não sabemos o real desempenho delas ainda.

terça-feira, 1 de março de 2011

Enquete sobre as cores da Williams

Perguntei-lhes: "O que você achou da nova pintura da Williams"

Reponderam-me:

Preferia a "provisória", toda azul marinho
    13%
Bonita, mas a original da "Rothmans" era mais bonita
    33%
Prefiro a antiga (até ano passado)
    6%
Linda
    45%
Feia
    0%

Donde concluo: 78% dos votantes, a vasta maioria, aprovou a nova pintura dos carros da equipe inglesa a serem pilotados por Rubens Barrichello e Pastor Maldonado. Lembro que junto com essa opção de pintura vem a responsabilidade de fazer jus a um período tão vitorioso da equipe sob risco de manchar a imagem afetiva também daquela época.

Red Bull, Infiniti e 2013

A Red Bull anunciou hoje que a montadora japonesa Infiniti se tornou um grande patrocinador da equipe
Para quem não sabe, a Infiniti é a divisão de luxo da marca Nissan que por sua vez é do grupo Renault.

A chegada do apoio da Infiniti levando dinheiro para lá certamente vai ajudar as finanças já tranquilas da equipe e por ser um acordo de 2 anos, deve dar publicidade a marca japonesa no território europeu, alvo principal da parceria, visto que nos Estados Unidos a Infiniti já é razoavelmente estabelecida contra sua maior rival, a Lexus da Toyota.

Outra coisa que chama atenção no acordo de 2 anos (2011 e 2012) é que ele se encerra exatamente no ano anterior a mudança radical de motores da categoria, em 2013, dando a entender que a parceria não é mais longa exatamente porque a Red Bull talvez queira substituir os motores Renault por outra marca, por exemplo, Volkswagen (através da marca Porsche ou Audi) e aí não poderia estar vinculada à Infiniti, concorrente de algumas marcas do Grupo VW, que já teve seu nome cortejado pelos dirigentes da atual equipe de Vettel e Webber.

Certamente a Renault vai lutar com unhas e dentes para estender a parceria para após 2012, especialmente agora que não tem mais participação em nenhuma equipe do grid, seja na divulgação da marca Infiniti, seja (principalmente) na parceria técnica de fornecimento dos futuros motores 1,6 Turbo. O fato da data desse novo contrato se encerrar em 2012 é um forte indicativo que haverá (se já não há) concorrência nessa disputa e que novas marcas de motores estão de olho na F1 (além da Volkswagen-Porsche, especula-se Honda e até Hyundai).

Com todas essa possíveis novas marcas podendo entrar na F1, com algumas delas provavelmente sem exclusividade com apenas uma equipe, as equipes não oficiais deverão ficar interessadas em novos parceiros, entenda-se, além de Red Bull, todas as outras que não Mercedes, Ferrari e McLaren (visto que esta tem contrato até 2015 com a Mercedes), até a Renault, que não é da Renault, poderá mudar de bandeira quando mudar seu nome. Some-se a isso o fato que as atuais fornecedoras não deverão assistir a tudo isso inertes, prometendo assim um grande rearranjo de fornecedores no grid de 2013.

Nada disso é certo ainda, mas prometem ser tempos interessantes.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O ano da Williams

 - Post 500 -

Quem lê o título desse post pode ser levado a crer que se tratará de um texto recheado de otimismo e apontamentos dos "porquês" 2011 será um ano glorioso para a equipe inglesa

Não é.

Ok, ha algum otimismo, mas não ufanista, e escrevo principalmente sobre a importância desse ano para a equipe e porque o FW33 tem a missão importantíssima de recolocá-la no mapa das grandes equipes, ainda que não no topo delas.

Com a debandada geral de patrocinadores no fim de 2010 a Williams assinou com Pastor Maldonado porque ele traria pesadas cifras da petroleira PDVSA, que em conjunto com uma racionalização dos investimentos e gastos da equipe lhe dariam (ou darão) o suficiente para atravessar a temporada de 2011 com um orçamento razoável e definido.

Além da PDVSA não notamos outros patrocinadores de peso entrando aparecendo na carenagem do carro, pelo menos não ainda, o que significa que a equipe não atravessa um momento de grande atratividade comercial.

Com tudo isso em mente o papel de Rubens Barrichello ao municiar a equipe durante o período de 2010 com informações e impressões precisas sobre os rumos a tomar na criação e desenvolvimento do carro de 2011 se tornou vital para um ressurgimento da equipe.


O FW33 foi o primeiro projeto mais ousado da equipe em anos, e ousadia na medida certa, ainda que custe um pouco de confiabilidade no início, costuma também ser pré-requisito pra bons desempenhos e escalada na tabela de pontos. Carros conservadores só dão certo quando conservam algo reconhecidamente vencedor e com sobras (Williams FW14, 14B e 15C e Red Bull RB5, 6 e 7 são exemplos), o que não era o caso dos últimos carros da equipe, tornando a ousadia do carro 2011 mais do justificada, necessária.

Adam Parr, presidente da Williams tomou portanto a decisão correta ao autorizar o planejamento e concepção desse carro novo, pois ele sabe que se a equipe não melhorar a olhos vistos seu desempenho nas pistas já esse ano, aproveitando-se da valiosíssima experiência, velocidade e motivação de um piloto que entra na sua 19ª temporada de F1, se tornará cada vez menos atraente para patrocinadores (e porque não, potenciais compradores de suas ações na bolsa), e sem eles não ha dinheiro para a contratação dos melhores pilotos e mesmo engenheiros, criando um círculo vicioso que arruinaria a equipe que vem se tornando figurante na F1 desde o fim da parceira com a BMW em 2005, temporada, aliás, que já não ganhou mais corridas.

Com a saída de Rosberg em 2009 e Hulk em 2010 a equipe em tese perdeu dois nomes de potencial comercial e apelo jovem, mas com a presença de Barrichello ganhou recursos técnicos inestimáveis que felizmente vem sendo capitalizados, recursos esses que creio dever ficar na Williams até pelo menos 2012, pois vejo Barrichello extremamente competitivo e feliz com o que faz, assim como a equipe com seu trabalho, especialmente agora com a entrada de outro piloto novato.

A verdade é que a equipe de Frank Williams vive nesse ano um momento decisivo, sabe disso e parece ter se preparado para de fato reiniciar sua caminhada rumo ao protagonismo na F1, aliando a ousadia na medida do carro, a experiência e motivação de Barrichello e os recursos financeiros e arrojo de Maldonado, que quer mostrar que é mais que um saco de dinheiro no grid.

PS: Esse é o post de Nº 500 do meu blog, obrigado ao vocês leitores que tornaram meu blog relevante, que o divulgam em seus Twitters, E-mails e Facebook e lêem meus posts diários!

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Alonso, el amigón

Conforme as pessoas lêem a biografia de Bernie Ecclestone, detalhes interessantes e não muito nobres  da Formula 1 acabam eclodindo. Por exemplo: Bernie teria declarado que Flávio Briatore não deveria ter sido punido pelas suas ações nefastas à categoria no episódio da batida de Nelsinho Piquet. Segundo o supremo mandatário da Formula 1 teria dito, "todos roubam na F1 e ele (Flávio Briatore) não deveria ter sido pego"

Mas esse é apenas uma das passagens interessantes do livro.

Outra mais polêmica e que joga mais luz sobre os valores éticos de Fernando Alonso é a de que em meio a disputa com Lewis Hamilton em 2007 na McLaren, após ter sua pole position anulada pela FIA por ter deliberadamente segurado o carro do jovem inglês na área na frente boxes, impedindo-o de marcar seu  tempo, Don Fernando se reuniu com Ron Dennis e teria pedido a ele que a equipe colocasse menos gasolina no carro de Hamilton em seu último pit-stop para que ele não terminasse a corrida por pane seca. A equipe não o fez e Hamilton ganhou a corrida, ao passo que Alonso chegou apenas na 4ª posição.

Por mais que nos dias atuais Alonso garanta que as rusgas com Hamilton sejam um assunto superado entre ambos, essa revelação pode reabastecer a rivalidade entre eles na pista. Independente disso é bom Felipe Massa ficar muito esperto para que o seu carro, caso tenha um bom desempenho em 2011 e comece a dar trabalho para o asturiano, não seja o novo "foco de atenção" de seu muy amigo companheiro bicampeão, já que além do espanhol ter sua moral sabidamente discutível, paira sobre a Ferrari a eterna névoa de favorecer um piloto em detrimento do outro e desde os tempos de Schumacher e Barrichello à até o episódio do GP da Alemanha do ano passado, ainda que neguem de pés juntos.

Abre o olho Felipe!

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Jogo de aparências


As equipes médias como Sauber, Toro Rosso Williams e mesmo algumas das maiores como Mercedes e Renault vem tendo seus bons desempenhos cercados de desconfiança por parte da imprensa especializada e mesmo seus rivais.

Sobre os bons tempos registrados por essas equipes pairam dúvidas de que eles seriam artificiais, obtidos através de jogadas como usar os pneus mais macios existentes e pouquíssima gasolina, fatores que sozinhos podem significar um ganho de até 6 segundos em relação aos mesmos carros cheios de gasolina e equipados com pneus mais duros. É errado? Não, mas cria uma imagem distorcida da realidade, pois se todos corressem mais próximos das mesmas condições, como aconteceria numa sessão de classificação e corrida, provavelmente o resultado seria outro, com as equipes grandes e tradicionalmente favoritas provavelmente à frente dessas, pensam algumas pessoas.

Só que a revista italiana Autosprint em sua última edição vem com uma informação interessante: enquanto muitas equipes estariam "inflando" seus resultados para fazer bonito nos testes, a Red Bull estaria fazendo exatamente o oposto. Segundo os italianos, os bons tempos obtidos por Sebastian Vettel nos primeiros dias dos recentes testes de Barcelona teriam sido conseguidos com o carro andando com tanque cheio, com o objetivo não-declarado de não "assustar" nem apressar a reação da concorrência.

Vettel na ocasião ainda desconversou, dizendo que com os pneus novos é difícil precisar como seu carro estava em relação às outras equipesno desenvolvimento e velocidade, mas na semana seguinte o consultor da equipe Helmut Marko deixou escapar uma reveladora informção justamente so bre ospneus, grande ponto chave dessa temporada 2011: "Estamos tendo problemas com os pneus, mas menos problemas que a concorrência".

Tudo isso deixa antever que pelo menos no início do ano deveremos ter a Red Bull à frente do grid na maioria das pistas, seguida pela Ferrari e depois pelas demais equipes numa ordem ainda imprecisa de se estabelecer.

Esperemos os próximos testes em Barcelona para ver se com os novos pacotes aerodinâmicos que várias equipes prometem lá estrear a divisão de forças fica menos nebulosa

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Williams estreia pintura nova na pista

Essa imagem foi obtida por um site inglês. Trata-se do Venezuelano Pastor Maldonado ao volante, uma vez que desde os testes de Barcelona Rubens Barrichello, embora sempre em contato direto com a equipe, se encontra fora da Europa para ficar com a família, uma vez que celebrou ontem seus 14 anos de casado.


Também não se sabe quando teria sido obtida, se antes do lançamento oficial ou se logo após o mesmo, mas uma coisa fica clara: Há bastante espaço para que potenciais novos patrocinadores estampem seus nomes nas laterais da asa traseira, laterais da carenagem, em cima da entrada de ar e à frente do cockpit do carro.

Quem sabe isso ocorra ao longo da temporada se a equipe confirmar o bom desempenho apresentado nos testes e após resolver os problemas iniciais com o KERS (eles estão enfrentando problemas apenas com o resfiramento da unidade)? Tomara, o desenvolvimento do carro só teria a ganhar com verba extra.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A nova pintura da Williams

Como eu havia previsto a mais de 1 mês atrás, a Williams resolveu trazer de volta a seu carro 2011 uma pintura retrô. Acertei metade da informação, pois imaginei que seria a pintura dos anos 80, quando na verdade foi a dos anos 90, do tempo que a Williams correu com os patrocínios da cigarreira Rothmans (1994, 95, 96 e 97).

Aliás, não por coincidência, o período "homenageado" da Rothmans foi o último em que a equipe conquistou títulos mundiais de pilotos e construtores, em 1996 com Damon Hill e 1997 com Jacques Villeneuve.
Veja as imagens acima e faça uma pequena comparação com as pinturas "originais" de 1994 e 1996 abaixo, inspiradoras do novo lay-out. Clique nas imagens para ampliá-las: