terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Mercedes testa DRS

A equipe Mercedes testou em Barcelona seu DRS passivo ("Drag reduction system" ou sistema de redução de arrasto aerodinâmico), uma instalação que aumentaria a velocidade do carro nas retas. A equipe foi quem inventou esse conceito no ano passado, mas ele era diferente (levava ar da asa traseira até a dianteira) e não funcionou tão bem como o esperado e em 2013 eles optaram por uma solução mais parecida com a vista na Lotus na segunda metade da temporada passada (o ar vem de entradas de ar atrás da entrada de ar superior do motor) e é soprado na asa traseira do carro, tudo acionando automaticamente pela pressão do ar conforme a velocidade que o carro está - em velocidades menores o uma abertura se manteria fechada e o ar seguiria para uma saída inferior, acima da luz traseira, confira:

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Vettel lidera pela manhã

Sebastian Vettel liderou a primeira manhã de testes em Barcelona, com a Marussia ficando, como sempre, na rabeira. Quem mais andou foi Pastor Maldonado com sua recém estreada Williams FW35 e Nico Rosberg anotou apenas 14 voltas iniciais. Vamos lembrar que as equipes testam seus carros com configurações diferentes, de modo que esses tempos podem refletir pouco sobre a velocidade real das equipes nesse estágio inicial. 

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Pos. Piloto               Equipe        Tempo      Dif.   Voltas 
 1º  Sebastian Vettel     Red Bull      1m23.046s             25
 2º  Kimi Raikkonen       Lotus         1m23.571s  + 0.525s   19
 3º  Fernando Alonso      Ferrari       1m23.626s  + 0.580s   44
 4º  Pastor Maldonado     Williams      1m23.733s  + 0.687s   47
 5º  Daniel Ricciardo     Toro Rosso    1m23.884s  + 0.838s   44
 6º  Sergio Perez         McLaren       1m24.124s  + 1.078s   22
 7º  Paul di Resta        Force India   1m24.144s  + 1.098s   47
 8º  Nico Rosberg         Mercedes      1m24.520s  + 1.474s   14
 9º  Esteban Gutierrez    Sauber        1m25.136s  + 2.090s   38
10º  Charles Pic          Caterham      1m27.534s  + 4.488s   40
11º  Max Chilton          Marussia      1m28.068s  + 5.022s   36

Nova Williams FW35

Seguindo o que a maioria das equipes fez nesse ano, a equipe Williams evoluiu seu carro do ano anterior ao invés de se dedicar a algo completamente novo e que nem faria sentido se lembrarmos que todas as equipes já se concentram nos carros do ano que vem, que correrão sob um novo regulamento técnico e cujos projetos demandam grandes esforços.

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O FW35, primeiro carro da equipe a não ter um brasileiro ao volante desde 2009 e que será pilotado pelo errático mas veloz Pastor Maldonado e ainda incognita Valteri Bottas, não tem mais o degrau no bico - que parece mais alto ainda - pois tal qual seu modelo anterior visto nos testes de Jerez, o esconde sob a escaramuça de uma tampinha e a pintura tem maior presença dos tons brancos e ainda menos patrocinadores que em 2012. Note também o cuidado com os dutos de freio dianteiros, com pequenas asas esculpidas de modo a ajudar ainda mais na pressão aerodinâmica.

E já que falamos de bico, é lá que fica a maior novidade da equipe: as hastes que seguram a asa dianteira tem uma inclinação negativa e um formato curvo parecido com o visto na Ferrari. A asa dianteira também é nova, sem aqueles mini-tuneis em sua base, optando por um caminho mais simples e confiável. O escapamento é semelhante com o visto nas demais equipes, mas há uma pequena haste metálica logo após sua saída, semelhante a vista na Caterham que me chamou a atenção (será que vai ficar?). De resto permanece com sua traseira extremamente compacta, algo característico desde 2011 e que facilita o fluxo de ar na traseira do carro. As entradas de ar são bem cavadas em sua porção inferior, sem nenhuma grande novidade específica, confira abaixo - Clique nas imagens para ampliá-las

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O que esperar de Felipe Massa em 2013

Todos os anos faço essa coluna sobre o que esperar dos pilotos brasileiros na temporada que ainda não se iniciou oficialmente. As espectativas são quase sempre previsíveis: marcar o maior número de pontos possíveis, não bater, superar seu companheiro de equipe e manter a melhor relação possível com sua equipe, sendo cordato, passando informações precisas sobre o carro e pensando estrategicamente um GP.

No caso de Felipe Massa é um pouco diferente. Se você ler minhas análises de inicio de ano sobre ele dos anos passado e retrasado, verá que sua grande missão nos dois anos era reagir à supremacia acachapante que Fernando Alonso lhe impunha nos resultados das corridas, sempre terminando o ano com mais de 100 pontos de diferença nas tabelas do campeonato.

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Todos sabem que Fernando Alonso é o piloto principal da equipe italiana, mas no início do ano o equipamento e tratamento que ambos recebem da equipe é idêntico e se Massa conseguir pontuar, frequentar pódios e até mesmo ganhar corridas nesse período, mantendo-se na disputa pelo título, ficará muito mais difícil para a Ferrari obrigá-lo a trabalhar para o espanhol antes do fim do ano e assim Felipe conseguiria fazer uma temporada melhor e se cacifar para uma boa equipe em 2014, já que sua permanência na Ferrari não é certa. Sim: dar canseira no espanhol pode ser seu passaporte para uma boa vaga em 2014 (qual equipe seriam outros 500...)

Além disso, se lembrarmos do terço final do campeonato do brasileiro em 2012, recordaremos que ele estava bem melhor psicologicamente, se entendendo com carros pneus e com sua própria motivação, com os resultados aparecendo visivelmente no cronômetro ao superar Alonso em vários momentos a ponto de ter que tirar o pé para beneficiar o companheiro na sua disputa contra Vettel, uma realidade bem distante do início do ano quando sequer pontuava e era achincalhado pela imprensa italiana.

É com esse espírito renovado e aguerrido que Felipe vai começar 2013 e apesar de analisar e opinar sobre seus resultados com distanciamento ético, acredito e torço por seu sucesso, mesmo que superar Alonso, na maioria das vezes não esteja no cardápio de opções.

Testes de Barcelona - quem testa quando

Essa é a escala de pilotos confirmados (nem todas as equipes o fizeram) para os próximos 4 dias de testes coletivos de inverno da Fórmula 1 em Barcelona.

Os testes nessa pista tem mais importância do que os de Jerez pois se trata de uma pista do calendário de corridas do campeonato e tem o asfalto menos abrasivo e mais parecido com o que será visto no resto do campeonato, diferente da lixa que é Jerez, que acaba não servindo muito como parâmetro para medir o consumo de pneus (algo vital na F1 atual) para as equipes e nem mesmo para a Pirelli.

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Além disso, veremos as primeiras modificações dos carros em relação à semana retrasada e a estréia do novo carro da equipe Williams, o FW35. Conforme as equipes atualizarem os nomes dos pilotos escalados, eu vou atualizando aqui também!

Equipe Terça Quarta Quinta Sexta
Red Bull Vettel Vettel Webber Webber
Ferrari Alonso Alonso Alonso Massa
McLaren Perez Perez Button Button
Lotus Raikkonen Raikkonen Grosjean Grosjean
Mercedes Rosberg Hamilton Rosberg Hamilton
Sauber Gutierrez Hulkenberg Hulkenberg Gutierrez
Force Índia Di Resta Di Resta Sutil Bianchi
Williams Maldonado  Bottas Mald./Bottas  Bottas/Mald.
Toro Rosso  Ricciardo Ricciardo Vergne Vergne
Caterham Pic vd Garde vd Garde Pic
Marussia Chilton Chilton Razia Razia

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

O trunfo da Sauber

O grande diferencial técnico da Sauber esse ano é, sem duvida alguma, suas mini entradas de ar laterais. O desenho dessa parte, muito menor que o da concorrência, acarreta num arrasto aerodinâmico significativamente menos que o de seus rivais, já que o ar não encontra obstáculo tão grande naquela área do carro suíço como nos outros.

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O grande desafio foi rearranjar internamente as peças, como radiadores, tubulação e cabeamento, que antes ocupavam uma área mais ampla, sem que isso prejudicasse a refrigeração do motor ou que atrapalhasse na distribuição de peso e centro de gravidade. Segundo Hulkenberg, o carro continua com a característica observada no ano passado de ser  muito rápido em curvas de alta. Agora temos que ver se essa inovação em conjunto com o resto do carro também será eficiente em outras situações e se o C32 se mostrará tão ou até mais eficiente e frequentador de pódios que o carro de 2012.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Dono da Force Índia cada vez mais enrolado

Já contei algumas vezes aqui ao longo dos anos que Vijay Mallya, um dos donos da Force Índia, tem um grande grupo empresarial, entre elas uma companhia aérea (a Kingsfisher) que deve bilhões dólares à funcionários, autoridades e diversos fornecedores e teve sua licença para operar caçada no fim do ano passado. Pois bem, parece que a situação piorou um pouco mais.

Segundo o jornal Financial Times, um grupo de 17 bancos liderados pelo Banco estatal da Índia, resolveu cobrar os empréstimos feitos - e todavia não pagos - à companhia aérea de Vijay. Ainda segundo a matéria no jornal, os credores "perderam a paciência e estão cobrando os empréstimos da Kingsfisher Airlines, algumas delas com garantias pessoais de Mallya, de modo alguns de seus brinquedinhos (jato particular e mega-iate) poderão ser vistos em breve nas mãos de outros donos".

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Antes que muitos perguntem, Bob Fernley chefe da equipe Force Índia já informou que os problemas da Kingsfisher Airlines em nada afeta a equipe de Fórmula 1 e que "são negócios independentes e sem conexão, então não importa o que acontece lá."

Ok, pode até ser que os negócios do indiano sejam realmente estanques e que recentemente ele tenha vendido a maioria acionaria em sua companhia de bebidas para a Diageo por 2 bilhões de dólares, mas como a equipe de F1 depende largamente de seus donos para existir, já que não tem patrocinadores reais (como mostrei AQUI), caso Vijay resolva repensar seus gastos, seria bom que a essas alturas a equipe conseguisse sobreviver com seus próprios rendimentos, como já fazem suas rivais de meio de pelotão Williams e Sauber.

Ah! Lembro por fim que a equipe tem outro sócio, o dono da marca Sahara, e também bilionário indiano Subrata Roy, que igualmente tem um mega império no mundo dos negócios e que do mesmo modo está com problemas financeiros bilionários na justiça indiana, mas isso fica para outro post caso a coisa para o lado dele realmente entorne...

Caterham e os escapamentos da discórdia

Perguntado sobre o que ele achava dos demais carros 2013 apresentados até agora, James Allison, diretor técnico da equipe lotus respondeu: "Existe uma coisa no escapamento da Caterham que creio não que vá ficar lá até chegarmos em Melbourne (Austrália)."

Essa "coisa" é uma pequena asinha localizada logo após as saídas dos escapamentos, o que segundo Allison, seria irregular.  Essa controversa peça teria a função de conduzir o fluxo de ar dos escapes para uma determinada direção, o que poderia infringir o artigo 5.8.4. do regulamento técnico da categoria, pois dependendo da interpretação, estaria numa área que deveria estar livre de qualquer interferência externa ou peças.

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Certamente nos próximos dias alguma equipe vai pedir o esclarecimento da FIA nesse caso, e na eventualidade desse item ser permitido, logo mais as outras equipes irão adaptar e até refinar suas próprias versões. Enquanto isso não acontece a Caterham seguiu testando pequenas variações da peça, como nessa imagem ao lado, onde a asinha se encontra um pouco mais rebaixada do que vimos nas imagens acima, tudo em busca de alguns décimos a mais de velocidade.

Segundo um especialista em aerodinâmica, a tal asinha teria resultados contestáveis, pois se por um lado realmente ajuda a direcionar o fluxo de ar dos escapes, por outro acaba por ser um obstáculo a ele, reduzindo a velocidade dos gases quando eles chegam à traseira do carro.

Quem disse que equipe pequena também não cria (ou tenta criar) novidade? Clique nas imagens para ampliá-las!